terça-feira, 15 de janeiro de 2013


Khadija Hayriya Aisha Dürrühsehvar, filha do último califa do Império Otomano, casou-se ainda muito jovem com o príncipe de Berar e passou a viver com o marido na Índia. Dentre os inúmeros presentes recebidos por conta da boda, a princesa ganhou um elefante ao qual carinhosamente apelidou de Boris. “Sempre fui fascinada pela literatura russa” explicou ela.

Aos poucos a princesa começou a ser notada pela imprensa ocidental, seu bom gosto para os saris - todos encomendados em Paris - e seu paquiderme de estimação fizeram dela uma exótica colunável em terras estrangeiras. Em sua primeira visita a Nova York, tamanha foi a comoção do high-society, que Khadija precisou estender sua viagem por quase um mês. Nesta ocasião, por insistência de uma famosa editora de moda, a princesa ordenou que trouxessem Boris aos Estados Unidos para uma sessão de fotos. Aliás, sempre que podia ela desfilava em cima do animal. O andar lento e robusto, mas ainda assim suave, do elefante conferiam à princesa uma gravidade que ela julgava condizente com sua altiva ascendência otomana.

Domesticado desde a tenra infância, Boris parecia sempre alheio à multidão e seus olhos tristonhos jamais se alteravam. Quando ele lacrimejava, o que era bastante comum, a Berar mandava que o levassem para um passeio na selva, “para matar as saudades da floresta” dizia ela.

Apesar de todo o zelo, durante uma longa estada da princesa em Londres, Boris fugiu dos jardins do palácio de verão, no qual vivia confinado. Numa corrida desabalada rumo à morte ele atirou-se de um imenso despenhadeiro não sem antes destruir duas lojas, seis automóveis, quatro postes de iluminação pública e infelizmente ferir oito pessoas e matar outras duas. Um capitão da guarda real, com medo de um furto e na esperança de conquistar a confiança dos príncipes, serrou as enormes presas de Boris e as enviou para Inglaterra junto de uma carta na qual explicava a situação. A princesa ficou horrorizada com a frieza do soldado que mutilara o elefante e mandou despedi-lo imediatamente, depois chorou copiosamente a morte de Boris. Khadija adiantou sua volta à Índia e providenciou ela mesma o enterro que foi realizado com pompa e circunstância nos jardins da propriedade real. Com as presas a princesa Berar fez fabulosos braceletes, “para me sentir mais perto do meu amado Boris”, justificou ela.

Meses mais tarde, em uma rápida passagem por Buenos Aires, ela foi fotografada na saída do Teatro Colón usando as pulseiras feitas a partir das presas do querido elefante. Os braceletes foram amplamente elogiadas na Vogue francesa e posteriormente na Vannity Fair. As joias de marfim, como era de se esperar, voltaram imediatamente à moda.

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