sábado, 31 de março de 2012
Um grande hipopótamo de borracha tem me visitado todas as tardes. Ele toma chá, mantém um blog no qual escreve textos pouco criativos e almeja ser artística plástico. Em nosso último encontro o descomunal mamífero de couro sintético anunciou que pretende pintar murais neo-abstracionistas. Mas com essas imensas patas de borracha fica difícil pintar, não? Sim, muito... Mas darei um jeito! Pobre animal, sua empreitada artística já me parece fracassada. Mudo rapidamente de assunto e iniciamos uma agradável conversa sobre o último livro do Vila-Matas. O chá esfria antes que o tema se esgote então saímos para um café. Na calçada da rua do Carmo ele me oferece um cigarro. Não obrigado, eu parei. Que sorte a sua, diz ele enquanto acende com suas enormes patas desengonçadas um cigarro de palha mal enrolado. Com essas patas é impossível desenvolver qualquer atividade artística que exija alguma coordenação motora fina, penso eu. Ele traga e suas gigantescas bochechas emborrachadas se enchem de fumaça. Ele deixa o cigarro cair. Os transeuntes observam meu desajeitado amigo com um misto de pena e escárnio. Pobre hipopótamo, em breve será mais um artista frustrado.
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