SESC Pompéia, 19 de junho.
"Olha o rato! Olha o rato! O rato!". Quando percebo um pequeno rato corre em direção à minha mochila e começa a subir por ela. Mexo as pernas, assustado, chutando a bolsa até que o rato cai e corre para debaixo do sofá. Atordoado, guardo o livro que estava lendo dentro da mochila, não sem antes sentir um pouco de nojo, e levanto o mais depressa que posso. Caminho para longe dali.
Cinema 24 de junho.
Os créditos de Midnight in Paris sobem. "Você gostou do filme?" pergunta o homem ao meu lado. "Gostei" digo. Ele replica, "Quanto anos você têm?". Que pergunta mais estranha para se fazer a um desconhecido no cinema. Respondo secamente, "23, Por que?". "Não, nada, é que eu tenho 60 e acho estranho alguém tão novo gostar desse filme...". Fico em silêncio. "O filme mexeu muito comigo..." continua ele "...falou ao meu coração. Sabe? Eu até chorei, você percebeu?". Por sorte os créditos acabam. Digo tchau e saio da sala o mais depressa possível.
Casa, 26 de junho.
Tomo nota sobre o desconhecido e o rato. Esses eventos se misturam na minha memória. Dessa vez não há para onde correr.
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