sábado, 9 de outubro de 2010

Hoje, enquanto fazia um bolo de cenoura, me senti a minha avó. Não a caiçara morena e desbocada, mas sim a outra, a minha avó mineira, filha de portugueses, que fazia queijo fresco e biscoito de polvilho. Sempre tive a impressão de que essa avó não gostava muito de mim, aliás, acho que ela não gostava muito de ninguém. Não que isso constituísse um defeito, era apenas algo estranho, ainda mais se comparado ao esmero que ela demonstrava na cozinha sempre que algum de nós a visitava. Minha avó era baixa, gorda, tinha olhos verdes muito vivos e estava sempre com as mãos ocupadas, limpando ou cozinhando. Quando vi pela primeira vez uma foto da Adília Lopes achei que ela se parecia com essa minha avó, exceto pelo fato de uma ser feia e a outra bonita. Essa semelhança me levou a pensar que talvez pudesse me sentir Adília Lopes, afinal eu tive certeza de estar me sentindo a minha avó enquanto peneirava a farinha. Imbuído dessa esperança, coloquei o bolo no forno e corri para escrever esse post, mas desde que parei aqui não consegui me sentir mais ninguém além de mim.

2 comentários:

  1. quero um pedaço do bolo da vovó! =)

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  2. Eu, felizmente, terei um pedaço. :-)

    Adília:

    nunca escrevi cartas de amor
    mas costumo pensar que escrevi cartas ridículas
    e por ter a mania de pôr o carro à frente dos bois
    acho que todas as cartas ridículas são cartas de amor

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