terça-feira, 20 de julho de 2010

Se assim como eu você lesse no ônibus à caminho do trabalho, saberia que é preciso erguer os olhos algumas centenas de metros antes do ponto em que se vai saltar. Saberia que mesmo que seja possível vencer mais um ou dois parágrafos é preciso parar antes de se alcançar o destino para que nenhuma idéia importante seja, porventura, cortada num sobressalto. Entenderia que é preciso interromper-se no momento exato, na frase certa, para depois preencher o resto do dia com pequenas conjecturas acerca da continuação da história. 

Se assim como eu você lesse no ônibus à caminho do trabalho, saberia que é preciso erguer os olhos algumas centenas de metros antes do ponto em que se vai saltar e não me olharia agora atônito diante das minhas parcas lágrimas. Se como eu você lesse no ônibus à caminho do trabalho, entenderia o que se passa, perdoaria minha pobre cara de choro e me deixaria saltar sem maiores delongas e saberia que é preciso deixar-me partir sem seu olhar de espanto, deixar-me seguir sozinho à caminho do trabalho. 



(escrito entre 09h58 e 10h23)

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