terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Enquanto você não está eu folheio seus cadernos escondido e sinto vergonha por lê-los sem que você saiba. Peço desculpas em silêncio. Nos cadernos há poemas incompletos, rabiscados e reescritos, eu sei que eles já estão prontos agora e me agrada descobrir seus caminhos. Sinto vergonha por ler seus cadernos escondido. Peço desculpas em silêncio. Não quero invadir o espaço que não me pertence. Está chovendo agora e os raios são fortes, mas não mais do que o habitual, como de costume eu tiro os eletrônicos da tomada. A cadeira do dentista sempre me assusta. Você foi ao dentista e talvez a chuva tenha molhado seus pés no caminho. Por que diabos li os seus cadernos? Entre eles havia uma folha que eu amassei sem querer, nela estava escrito seu último poema, também rasurado. Eu o li e desamassei a folha com cuidado, depois deitei na cama que é sua e esperei o cheiro da chuva se espalhar pelo quarto. Tive vontade de escrever. Se eu tivesse anotado tudo isso enquanto ainda estava deitado esse texto certamente seria melhor.
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Escrito entre ontem, 22 de fevereiro, e hoje.

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