quarta-feira, 22 de abril de 2009

Um homem que escolhe morrer para estar ao lado da imagem da mulher que ama. Um homem que deixa a vida para se transformar numa projeção de si mesmo e passar assim a eternidade ao lado de Faustine. Um homem que estuda cada movimento, cada gesto, cada palavra, para se inserir com perfeição na repetição eterna, mesmo sabendo que Faustine jamais terá consciência de sua existência. Um amor enorme. Unilateral. Incocebível. Verdadeiro.

Minha alma não passou, ainda, para a imagem; caso contrário, eu já teria morrido, teria deixado (talvez) de ver Faustine para estar com ela numa visão que ninguém jamais recolherá.

Ao homem que, com base neste informe, invente uma máquina capaz de reunir as presenças desagregadas, farei uma súplica. Procure a Faustine e a mim, faça-me entrar no céu da consciência de Faustine. Será um ato piedoso.

(A invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares)

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